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''Oi, é a Hannah, Hannah Baker. Acomode-se, porque vou contar a história da minha vida. Mais especificamente, como minha vida terminou.'' assim começa uma das histórias mais tocantes emocionalmente que já assisti.

Quão perturbador e angustiante foi assistir em 13 episódios o fim da vida de uma adolescente que foi rotulada e apontada por colegas da escola como a 'garota fácil', e mesmo depois de suicidar-se ganhou um novo rótulo 'mentirosa que se matou para chamar a atenção'. Chamar a atenção é o que pessoas com ansiedade e depressão geradas pelo bullying , comentários alheios ou qualquer outra razão não querem fazer. O nosso texto dessa semana é um desabafo via '13 Reasons Why', nova febre da Netflix que todos os adolescentes, pais, familiares, pedagogos e sociedade em geral deve assistir. Cada episódio de 13 Reasons Why é um lado de uma cassete, dedicado a uma das pessoas responsáveis pelo fim de Hannah. Depois de ouvidas, as fitas têm de ser passadas ao próximo, caso contrário correm o risco de serem expostas.

Assisti a série em uma semana e enquanto não estava assistindo ficava contando as horas para chegar em casa e poder assistir. 13RW não é mais um drama adolescente, é uma série sobre como uma foto, uma palavra, um comentário ofensivo pode começar a desmanchar uma vida que começou a pouco.

De gota em gota surge um imenso oceano de sentimentos e emoções confusas. Hannah Baker, a protagonista, é uma adolescente comum do ensino-médio americano. Logo no primeiro episódio já estamos ciente que Hannah está morta e que a história será narrada por ela, durante a execução das sete fitas que ela gravou antes de cometer suicídio. Dividida em treze episódios, ao longo dela somos apresentados a cada porquê da jovem Baker fazer o que ela fez. Desde palavras a abusos, conflitos pouco esclarecedores e a sensação de ninguém se importar com sua existência.

Abordando um tema considerado rotineiro e perca de tempo por muitos, Uma ou um 'Hannah Baker' pode estar sentado na sua frente agora, ou no cômodo ao lado, ou no caixa do supermercado que você frequenta e até mesmo escrevendo esse texto. Um dos pilares da série é o bullying e isso precisa continuar em discussão nas nossas escolas. 'Gorda, baleia, saco de areia' parece uma rima feliz, que crianças fazem por diversão, mas essas quatro palavras podem ferir profundamente uma garota ou garoto. 'Bixinha, viado, haja como um homem' também é muito comum ouvir desde o ensino fundamental. Pessoas mais sensíveis são rotuladas como perdedoras e isso entra na cabeça delas onde cada coisa ruim, errada que acontece em suas vidas é justificada por elas serem perdedoras, onde ela acredita que o que as 'pessoas legais' da escola falavam são verdades. Mas não são, nunca serão.

13 Reasons Why veio para nos alertar e ficarmos atentos e o mais importante nos fazer lembrar de mostrar para nossos amigos e familiares o quão importantes eles são para nós. Falar para eles o quanto eles importam e são incríveis em nossas vidas. O Huffpost Brasil em uma recente postagem sobre a série diz que ''Nas 13 motivações de Hannah, narradas como acontecimentos que vão aumentando a falta de perspectiva no futuro, o suicídio não é apontado como desfecho dramático de um acontecimento único, como o cyberbullying de uma foto mal-intencionada, uma humilhação na frente de toda a classe ou o fim de um relacionamento.'' Por tanto devemos cuidar com o que falamos e atitudes.

Além da protagonista, peço que preste atenção em outros personagens secundários, como Alex Turner, Justin e Jessica. Cada um deles vai nos mostrar reações que devemos ficar atentos e acolher quem está passando por tal situação. Por mais distante que você possa estar e mais sozinho que você se sentir não surte, busque ajuda.

Confesso a você que lê essa coluna que ainda estou perturbado com algumas cenas do último episódio da série. Aquele aperto no peito e a sensação de impotência por não conseguir ajudar uma personagem. Essa é uma daquelas séries que você entra de cabeça e sente como se fizesse parte dela e quer tentar evitar que a tragédia aconteça, mesmo que ela tenha acontecido desde o primeiro minuto do primeiro episódio. Me identifiquei com algumas cenas, deixei aquela lágrima cair e com ela aprendi uma lição. Quer saber qual? Assista, caro leitor.

Eu já fui Hannah Baker e também já fui um, dois ou até três dos treze porquês, e é por isso que abro meus braços, não para me jogar de um prédio mas para abraçar cada pessoa que está mergulhando em um oceano de sentimentos e emoções confusa, e mostrar para ela o quão maravilhosa e importante é a vida dela. Eu sei o quão inferior e insignificantes nos sentimos e que ao buscar ajuda, não deixamos claro a ajuda que queremos e isso parece que nosso ouvinte não se importa. Seja claro, exponha seus sentimentos e problemas. Não sabe como? Busque um modo, posso ajudar, alguns dos meus demônios eu consigo mandar embora cantando músicas que amo bem alto, confiando em uma pessoa próxima e contando para ela o que estou sentindo, escrevendo um diário. Não se feche num mundo só seu, mostre o seu mundo sem ligar para negatividade. Eu ainda sou um pouco Hannah Baker e estou em constante progressão para aproveitar cada minuto da vida. Os pulsos não são a saída de emergência.

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Esse texto não conteve spoilers berrantes. Até a próxima quinta.

Last modified on Quinta-feira, 20 Abril 2017

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